Para a publicitária Thainá Tanizawa e o produtor audiovisual Marcelo Ordoñez, o Ford Bronco Sport deixou de ser apenas um meio de transporte. Estrategicamente adaptado para funcionar como casa, escritório e base de produção, o SUV foi escolhido pelo casal brasileiro para fazer uma travessia pelas Américas, de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, ao Alasca.
Batizado de “Broncasa”, o Bronco Sport carrega roupas, mantimentos, equipamentos audiovisuais, cozinha, geladeira e um sistema elétrico independente. No teto, uma barraca completa a estrutura usada por Thainá, Marcelo e pela cadelinha de estimação Canela, a terceira aventureira do grupo e que atua ainda como alarme móvel e segurança oficial da expedição.
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A viagem faz parte da Soul Let’s Go, produtora itinerante dedicada ao cinema documental e à criação de conteúdo sobre pessoas, culturas e territórios. Mais do que acompanhar a jornada, o Bronco Sport tornou-se um dos seus protagonistas. “A gente sempre considerou o Bronco como o quarto elemento da expedição”, comenta Marcelo. “Ele é tratado como parte da nossa família, é a nossa casa móvel.”
De São Paulo ao Alasca a bordo do SUV
Conhecer o mundo era um sonho antigo de Thainá. Marcelo, que já havia morado na Austrália e viajado pela Europa, comprou a ideia e ajudou a transformar esse desejo em um projeto concreto. “Posso dizer que esse era um sonho meu, mas que o Marcelo deu pernas para ele sair correndo”, conta Thainá, sorrindo.

Antes de iniciar a expedição, os dois deixaram a rotina intensa de São Paulo e foram morar em Ubatuba, no litoral norte paulista. A ideia era permanecer na cidade por apenas um ano, mas a estadia acabou se estendendo por três anos. Foi nesse período que a chama aventureira reacendeu e os dois retomaram o plano de adotar uma vida nômade e conhecer novos lugares.
Entre as diferentes possibilidades - mochilão, avião ou motorhome - escolheram viajar de carro, inclusive porque queriam acomodar com conforto a pequena Canela. A jornada começou em São Paulo, seguiu até Ushuaia e, de lá, passou a avançar em direção ao Alasca. O objetivo é atravessar todo o continente americano de sul a norte.


Por que um Bronco Sport?
A escolha do veículo veio antes do projeto de adaptação, pois Thainá e Marcelo já tinham a expectativa de encontrar um modelo capaz de enfrentar diferentes terrenos, mas que também oferecesse conforto em viagens longas e a possibilidade de receber uma estrutura para que os dois conseguissem viver e trabalhar na estrada.
Nesse ponto, Marcelo explica que os recursos voltados ao uso fora de estrada tiveram peso importante na decisão. “A gente fez uma pesquisa bem ampla sobre o Bronco. Como ele tem modos de condução para lama, areia e neve, logo pensamos: é perfeito, porque vamos passar por todos esses tipos de terreno.”

O Ford Bronco Sport é equipado com um motor 2.0 Ecoboost turbo a gasolina de 253 cavalos, 38,7 kgfm de torque, câmbio automático de oito velocidades, tração 4x4, diferencial traseiro blocante e sete modos de condução. Para o casal, que não tinha experiência dirigindo sobre neve ou gelo, os muitos recursos trouxeram bastante segurança para encarar o inverno no extremo sul do continente. “O fato de o Bronco ter um modo preparado para lidar com a condução na neve, por exemplo, trouxe muita tranquilidade pra gente”, afirma Thainá.
“Agora dá para dizer que já dirigimos sobre gelo, neve, areia, pedras e lama, e todos os modos foram usados na prática, em situações reais e com total eficiência”, emenda Marcelo, que não disfarça seu prazer em assumir o volante em condições mais severas, inclusive as oportunidades para experimentar o modo Sport.

Antes da instalação da estrutura, que aumentou o peso do SUV, ele aproveitou algumas chances de explorar a força do motor 2.0 turbo do Bronco. “Das primeiras vezes que usei o modo esportivo, ficava pensando: caramba, como esse SUV responde forte e tão seguro.”
A transformação do Bronco Sport em "Broncasa"
Para transformar o Bronco Sport em uma base de expedição, o casal retirou os bancos traseiros e instalou um móvel. A área mais próxima dos bancos dianteiros funciona como guarda-roupa, cofre e compartimento para objetos pessoais e equipamentos de produção. Na parte acessada pelo porta-malas fica a cozinha, com geladeira, fogão e utensílios.

“Depois de decidir o modelo do carro, começamos a levantar quais itens seriam necessários para ter autonomia na estrada e executar nossos planos fora de estrada”, explica Marcelo. No teto, uma barraca cria o espaço usado para dormir, mas o conjunto reúne ainda placas solares e uma bateria que alimenta a iluminação, a geladeira, os equipamentos eletrônicos e a conexão via Starlink. “Com a bateria totalmente carregada, conseguimos ficar até cinco dias com tudo funcionando, incluindo a Starlink e a geladeira”, detalha Marcelo.
Mas e o simpático apelido “Broncasa”, como surgiu? Foi obra de um dos seguidores da dupla, que, logo após uma das primeiras publicações sobre o carro, usou essa expressão nos comentários. Tainá e Marcelo gostaram da ideia e incorporaram o nome ao projeto. “Alguém falou: ‘Nossa, é a Broncasa’. A gente pensou: puxa, é isso mesmo, é a nossa Broncasa. E o nome ficou”, lembra Thainá.

Mais de 14 mil km percorridos: as vantagens do Bronco Sport
Ao longo dos 14 mil quilômetros percorridos até agora, o Bronco Sport já enfrentou neve, gelo, cascalho, pedras, areia, lama, estradas de montanha e temperaturas negativas. O plano original era chegar a Ushuaia durante o verão. Porém, a viagem levou mais tempo que o previsto e o casal acabou alcançando a região em pleno inverno.
Acampar na Patagônia sem um sistema de aquecimento na barraca foi um dos principais desafios, principalmente nos dias de chuva. Como lembra Thainá, que trabalha remotamente, durante a viagem muitas vezes o interior do Bronco acabou se transformando em seu escritório.

“Teve uma situação em que o camping alagou e eu precisava trabalhar. Entrei no carro com o computador e fiquei ali até a chuva passar e o tempo melhorar.” Foi nesse contexto que equipamentos aparentemente secundários ganharam importância. “Se você perguntar qual é a minha funcionalidade preferida do Bronco, vou responder sem nenhuma dúvida: é o aquecimento dos bancos”, diz Thainá.
Outro recurso valorizado na rotina é o vidro traseiro com abertura independente. “Isso facilita muito a nossa vida nas paradas, porque podemos pegar as coisas de forma prática, sem abrir a tampa porta-malas inteira”, explica. A iluminação externa também auxilia na montagem do acampamento e na organização dos equipamentos durante a noite. E, apesar das condições enfrentadas, o histórico do veículo é positivo.

“Agora dá para dizer que já dirigimos sobre gelo, neve, areia, pedras e lama, e todos os modos foram usados na prática, em situações reais e com total eficiência”Marcelo Ordoñez, dono de um Bronco Sport e que conta suas aventuras na Soul Let’s Go
Até agora, o único contratempo diretamente relacionado ao carro foi um pneu furado, ainda assim, quando o casal já estava próximo a uma cidade. “Completar esse longo trecho de 14 mil quilômetros com apenas um pneu danificado e ainda numa condição supernormal é um saldo muito bom”, completa Marcelo.
Um projeto além da viagem: explorando a cultura local
A Soul Let’s Go não pretende produzir apenas guias turísticos ou listas de lugares para visitar. A proposta é contar histórias sobre as pessoas de cada região e mostrar como os territórios influenciam culturas e modos de vida. Thainá e Marcelo adotaram um ritmo mais lento de viagem justamente para conversar com moradores e compreender melhor os lugares por onde passam. “Queremos mostrar como as pessoas afetam e moldam, mas também são moldadas pelo território onde vivem.”
Em Salta, na Argentina, o casal descobriu o folclore musical local durante conversas com moradores, visitou os tradicionais boliches - bares onde se apresentam músicos e dançarinos - e produziu um vídeo para apresentar essa manifestação cultural ao público brasileiro. “Quando começamos a conhecer as danças e a música, pensamos: isso é muito legal, por que ninguém fala sobre isso?”, conta Thainá.
“Foi um dos momentos em que tivemos muita vontade de compartilhar uma descoberta com o nosso público.” Como explicam, o próprio nome traduz esse espírito ao juntar “Soul” - alma, em inglês - com “Let’s Go” - “vamos lá”, em tradução direta - Tainá e Marcelo querem deixar clara a vontade de manter a alma em movimento e, ao mesmo tempo, fazer um convite para que outras pessoas também saiam da zona de conforto.
Depois do Alasca
A chegada ao Alasca não deverá representar o encerramento do projeto. O casal pretende explorar com mais profundidade o Canadá e os Estados Unidos, e já considera atravessar o Atlântico para levar o Bronco e a Soul Let’s Go à Europa. “Eu quero continuar vivendo isso, não parece uma coisa que possa simplesmente acabar”, afirma Thainá.
Quando questionados sobre o que dizer a quem sonha em realizar algo semelhante, Marcelo recomenda prestar atenção ao desconforto que desperta a vontade de mudar. “O maior conselho que posso dar é ouvir a sua voz interior e entender por que existe essa vontade de mudança. A tentativa é o início de uma caminhada que pode mudar a vida de uma pessoa.”

Thainá acrescenta que o planejamento é importante, mas não pode se transformar em uma espera interminável. “O conselho que eu daria é se planejar financeiramente, mas não para sempre; Saia com o que você tem. Não espere ficar perfeito, porque nunca vai ser.”
Enquanto os próximos quilômetros ainda estão sendo escritos, o Ford Bronco Sport continua exercendo múltiplas funções: veículo, casa, escritório, cozinha, fonte de energia e base de uma produtora audiovisual sobre rodas.
Neste momento, Thainá e Marcelo estão em El Chaltén, na região de Santa Cruz, na Patagônia argentina, planejando a próxima parada, a cidade de Bariloche, também na Argentina. E, como fazem questão de lembrar, a Broncasa não é apenas o carro que os leva de um destino a outro: é o que torna possível continuar essa grande aventura.
Benê Gomes é jornalista, locutor e apresentador de TV, com uma carreira consolidada no segmento automotivo

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