Falar de mobilidade é falar de liberdade, da possibilidade de ir ao trabalho, estudar, viajar, cuidar da saúde, visitar a família, ocupar espaços e participar da vida em sociedade. Para muita gente, isso parece simples e cotidiano. Mas, para quem tem alguma deficiência ou limitação de mobilidade, esse caminho ainda é repleto de entraves.
Acessibilidade, para mim, é uma palavra muito mais ampla do que normalmente se imagina. Quando falamos sobre o tema, pensamos imediatamente em deficiência física. Mas a acessibilidade envolve diferentes necessidades e formas de garantir que alguém consiga se mover com autonomia, segurança e conforto.
Quando olhamos para a mobilidade, precisamos começar pela pergunta: qual é a verdadeira necessidade de quem vai usar essa solução? O cliente não deve se adaptar ao produto. É o contrário: nós precisamos nos adequar à realidade de quem o usa.
Transit: quando o produto se adapta à vida real
Esse princípio orienta muitos dos projetos que desenvolvemos na Ford. Antes de pensar em uma solução pronta, procuramos entender quem vai usar o veículo, em que contexto, com quais limitações e quais expectativas. A partir daí, a engenharia deixa de ser apenas uma resposta técnica e passa a ser uma ferramenta para ampliar a autonomia.
Um exemplo concreto desse olhar está nas adaptações feitas na van Transit para pessoas com deficiência ou necessidade de mobilidade assistida. Por ser um veículo espaçoso, versátil e com diferentes possibilidades de configuração, a Transit permite desenvolver soluções variadas de acessibilidade. Mas o ponto mais importante não é simplesmente dizer que existe uma van adaptada, e sim que não existe uma única solução para todos.
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Há casos em que o assento elevatório é a melhor alternativa: ele permite que a pessoa seja transferida da cadeira de rodas para dentro do veículo e, depois, uma segunda pessoa armazena a cadeira para o transporte. Há outros casos em que a pessoa precisa embarcar no veículo com a própria cadeira de rodas, o que exige uma plataforma elevatória. Existem ainda adaptações para quando o próprio motorista é cadeirante, com comandos adequados e sempre respeitando os requisitos de segurança.
Esses exemplos mostram que a acessibilidade não pode ser tratada como algo padronizado ou definitivo; ela precisa ser pensada caso a caso. Por isso, o papel da engenharia aqui na Ford Pro é escutar, compreender e transformar cada necessidade em uma solução segura, funcional e verdadeiramente útil para quem vai usá-la.
Acessibilidade na prática: o caso da Ford em Camaçari
Pensando nisso, desenvolvemos um projeto do qual tenho muito orgulho e que contou com a participação de cinco trainees PcDs da Ford. Eles contribuíram para o desenvolvimento dessas soluções, trazendo percepções reais sobre uso, conforto e necessidades do dia a dia, e se tornaram vozes essenciais dentro do projeto.
Utilizamos essa adaptação da Transit para o transporte de funcionários da Ford em Camaçari (BA), no Cimatec Park, onde temos nosso escritório. Com isso, buscamos garantir que nossos próprios colaboradores pudessem ir ao trabalho com conforto e segurança. Como disse no início deste relato, trata-se de algo que parece simples para quem nunca teve esse direito dificultado.
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“A acessibilidade não pode ser tratada como algo padronizado ou definitivo; ela precisa ser pensada caso a caso”Daniel Santos, engenheiro-chefe da Ford América do Sul
A Ford não faz isso sozinha. Existe um ecossistema de clientes, concessionárias, projetos públicos, empresas parceiras e agentes transformadores que participam de tudo isso. Muitas vezes, a demanda vem de uma licitação pública, de uma empresa que precisa transportar funcionários ou até de uma organização que defende a inclusão como parte de sua responsabilidade social. E isso é muito importante, pois a acessibilidade não deve ser vista apenas como uma obrigação. Ela também pode – e deve – ser uma escolha de valor.
Esse tema faz parte da minha vida pessoal. Sendo filho de médica, minha mãe, a Dra. Alba, sempre me inspirou. Cresci vendo de perto o esforço dela para cuidar das pessoas e da nossa família. Meu irmão foi vítima de violência por arma de fogo, o que o deixou com sequelas. Já minha esposa, após sofrer um acidente de carro, passou a conviver com dores e limitações. Hoje, tento levar esses exemplos de vida comigo, levantando a bandeira da acessibilidade no meu trabalho e usando a influência que tenho para ajudar as pessoas.
No fim, acessibilidade é criar condições para que as pessoas vivam mais plenamente. Não é apenas uma adaptação no veículo, uma rampa, uma vaga reservada ou uma fila preferencial. Tudo isso importa, claro. Mas a acessibilidade começa antes, no olhar de cada um. Começa quando entendemos que as pessoas são diferentes por natureza.
Na Ford, quando trabalhamos em soluções de mobilidade acessível, seja com a Transit ou com outros veículos, buscamos contribuir para essa mudança e queremos transformar uma necessidade em uma resposta. É fazer com que mais pessoas possam ir, vir, trabalhar, estudar, cuidar de si e ocupar seus espaços.
Daniel Santos é engenheiro-chefe da Ford América do Sul






