Tudo começou em julho de 2012. A Ford estava lançando a quarta geração da Ranger, que chegava ao mercado totalmente reformulada. A picape reunia todos os atributos da Ranger em um produto global, vendido nos cinco continentes.
Como jornalista especializado do setor automotivo, recebi na época uma Ranger para avaliação na versão Limited 3.2, então topo de linha. Uma grande novidade daquela geração era a transmissão automática de seis velocidades e a nova tração com 4x4 com reduzida, bloqueio de diferencial e o inédito sistema de controle eletrônico de descidas (HDC). E foi exatamente essa tecnologia que me salvou.
O motor 3.2 turbodiesel era o propulsor mais eficiente dentre os que impulsionavam as caminhonetes médias no Brasil. Empolgado com a força daquela fera, programei uma viagem de fim de semana para a cidade mineira de Gonçalves, incrustada na exuberante Serra da Mantiqueira.
Relembre todas as gerações da Ranger
O teste de fogo na Serra da Mantiqueira
Saímos de São Paulo, passamos por Cambuí, já em Minas Gerais, e uns 8 km adiante estávamos no Córrego do Bom Jesus. Até aquele momento, todo o trajeto havia sido feito no asfalto, onde a Ranger se mostrava confortável, espaçosa e muito agradável de guiar. Como eu estava acompanhado por toda a família — inclusive pelo nosso cachorro —, o amplo espaço interno se mostrou valioso.
Contudo, a partir dali começava a verdadeira prova de fogo. Do Córrego do Bom Jesus até Gonçalves, havia um trajeto de aproximadamente 24 km por uma estrada sinuosa de terra e cascalho. A picape tirava o desafio de letra, e seguimos viagem sem que a Ford Ranger 4x4 sequer tomasse conhecimento dos buracos e trechos de barro.
Mas acalme-se: o verdadeiro sufoco ficou guardado para a viagem de volta a São Paulo.
O desafio da ladeira intransitável
No dia de ir embora, todo aquele trecho de terra havia se transformado em um lamaçal, tornando a estrada praticamente intransitável. Decidimos mudar a rota para passar por São Bento do Sapucaí e iniciamos a jornada. A maior parte desse percurso era em declive acentuado, já que descíamos a Serra da Mantiqueira. Foi então que chegamos a um ponto extremamente íngreme e completamente tomado pelo barro.
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Descemos com bastante cuidado. Eu sentia a Ranger dançar sobre a lama, ainda que seguisse valente, amparada por toda a tecnologia a bordo para nos manter na estrada. De repente, vimos um homem correndo no sentido contrário, subindo a ladeira a pé, balançando os braços e indicando para que parássemos.
Ele se aproximou e explicou que o jipe 4x4 em que viajavam, mesmo equipado com pneus lameiros, havia escorregado, batido no barranco e tombado logo em seguida. Ele nos recomendou fortemente não tentar a descida. Mas para onde ir? Dar a volta não era uma opção viável naquele ponto, já no meio de uma ladeira escorregadia.
A eletrônica em ação contra a gravidade
Decidi acreditar na robustez da Ranger. Lembrei-me do controle eletrônico de descidas e apostei nele: configurei o sistema para a mínima velocidade possível (5 km/h) e avancei. Posicionei a picape bem no centro da estrada, tirei completamente o pé do freio e controlei apenas o volante. Sistemas como ABS e ESP atuaram perfeitamente, distribuindo a força de frenagem entre as rodas e mantendo o veículo na trajetória ideal.
Com a eletrônica do carro trabalhando por nós, segui atento ao volante e logo avistei o veículo acidentado. Chegamos em total segurança ao final da ladeira. Missão cumprida!
Os ocupantes do jipe assistiram boquiabertos àquela picape com pneus de uso misto superar o declive sem qualquer susto. Hoje, o controle de descida não é um equipamento raro, mas lá em 2012 era uma tecnologia inovadora e bem menos comum.
Expliquei ao colega jipeiro que quem havia feito todo o trabalho difícil fora a eletrônica da picape, até porque as habilidades no off-road nunca foram o meu forte. Esperamos o guincho chegar com eles e, como agradecimento, fomos presenteados com alguns potes de geleia artesanal que carregavam no jipe tombado (deliciosa, por sinal).

A evolução da Ranger 4x4: da quarta à quinta geração
Olhando para trás, aquela aventura consolidou de vez a minha confiança na linha de picapes da Ford. E se a quarta geração já era um marco de tecnologia e valentia para a sua época, a atual Ranger de quinta geração elevou a inteligência e a aptidão off-road a um patamar extraordinário.
Se eu estivesse naquela mesma ladeira escorregadia hoje, a picape contaria com recursos ainda mais refinados. O destaque fica para a tração 4WD com o modo 4x4 Automático (4A) — que distribui o torque entre os eixos sob demanda — e até 6 modos de condução selecionáveis (incluindo as opções 'Escorregadio' e 'Lama/Terra'), que ajustam eletronicamente o motor, a transmissão de 10 marchas e os freios para garantir controle absoluto.

Robustez extrema comprovada em testes globais
Toda essa capacidade off-road não nasceu por acaso. Para honrar o DNA "Raça Forte" e garantir que a atual geração seja sinônimo de robustez, a Ford submeteu a Ranger a severos testes de durabilidade. O projeto foi desenvolvido de forma conjunta pelos centros globais de desenvolvimento da Ford, com participação ativa da engenharia brasileira.

Para garantir máximo desempenho e durabilidade, a picape rodou mais de 1,2 milhão de quilômetros em testes extremos, desde a Floresta Amazônica até a Patagônia, na Argentina. É a evolução de um legado de confiança: seja em 2012 ou hoje, a Ranger prova que foi feita para superar qualquer cilada e nos trazer de volta para casa em segurança.
Douglas Mendonça é jornalista automotivo com mais 50 anos de experiência. Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e a Mil Quilômetros de Brasília em 2004.
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