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Partida do Grande Prémio de F1 da Holanda, 1967
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Ford Portugal
04.09.26

Os três monopostos com motor Ford que mudaram a história da Fórmula 1

É impossível pensar na Fórmula 1 sem lembrar do “oval azul”. Embora a Ford tenha se despedido temporariamente da categoria máxima em 2004, seu legado continua sendo colossal: são 176 vitórias, 13 Campeonatos Mundiais de Pilotos e 10 de Construtores, o que a consolida firmemente como a terceira fabricante de motores mais vitoriosa de todos os tempos, atrás apenas de Ferrari e Mercedes.

Agora, com o retorno confirmado para 2026 em parceria com a Red Bull Ford Powertrains, o paddock se prepara para uma nova era de motores híbridos. No entanto, para compreender o presente e o futuro da Ford na Fórmula 1, é preciso primeiro voltar no tempo. Afinal, todos sabemos como é: aprender com as vitórias para fazer com que a história se repita. Não é mesmo?

Ao longo de quase quatro décadas de glória, a parceria da Ford com preparadoras lendárias (especialmente por meio da mítica aliança com a Cosworth) deu vida a monopostos que não apenas venceram corridas, mas revolucionaram para sempre o automobilismo.

Lotus 49 (1967): O nascimento da lenda e do motor estrutural

Se existisse um “Big Bang” na história técnica da Fórmula 1, ele teria acontecido no Grande Prêmio da Holanda de 1967, no circuito de Zandvoort. Foi ali que estreou o Lotus 49, um monoposto concebido pelo visionário Colin Chapman e impulsionado por uma obra-prima da engenharia financiada pela Ford: o motor Ford-Cosworth DFV V8 de 3,0 litros.

O Lotus 49 não apenas venceu logo na estreia com o lendário Jim Clark ao volante, como também introduziu um conceito que mudou para sempre o projeto dos carros de corrida: o motor como elemento estrutural do chassi. Até então, os motores ficavam abrigados dentro de um quadro tubular ou de uma estrutura que sustentava todo o peso. Chapman e os engenheiros da Ford e da Cosworth decidiram parafusar o motor DFV diretamente na parte traseira do cockpit do piloto, utilizando-o como elo de ligação com a suspensão traseira e o câmbio.

Essa solução revolucionária proporcionou uma redução de peso significativa, aumentou a rigidez torcional e baixou o centro de gravidade. O motor DFV se mostrou tão leve, compacto e confiável que a Ford decidiu liberar sua venda para outras equipes, democratizando o grid de largada e permitindo que escuderias independentes enfrentassem gigantes como a Ferrari. Foi o início de uma era de ouro na qual o Lotus 49, também pilotado por Graham Hill, sagrou-se campeão mundial em 1968.

O motor Ford DFV no Grande Prémio da Holanda, 1967.
1967 – F1 – Holanda – Jimmy Clark celebra a primeira vitória do Ford DFV
1967 – F1 – Holanda – Jimmy Clark a caminho da primeira vitória do Ford DFV.

Lotus 79 (1978): A beleza do "efeito solo" definitivo

Mais de uma década após a estreia do DFV, muitos acreditavam que o veterano V8 da Ford estava chegando ao fim de sua vida útil diante dos novos e potentes motores boxer de 12 cilindros da Ferrari e dos primeiros propulsores turbo. No entanto, Colin Chapman tirou outra carta da manga em 1978 com o Lotus 79, apelidado de “Black Beauty” (Beleza Negra).

O Lotus 79 levou a tecnologia do efeito solo ao seu ápice. O design do carro incorporava carenagenslaterais esculpidas internamente como asas de avião invertidas. Ao trafegar em alta velocidade, o fluxo de ar acelerava por baixo do carro, gerando uma zona de baixa pressão que literalmente “sugava” o monoposto contra o asfalto. Para impedir que o ar escapasse pelas laterais, foram adicionadas saias móveis que vedavam o assoalho contra a pista.

Para que esse complexo sistema aerodinâmico funcionasse com perfeição, era indispensável um motor estreito e compacto, que deixasse espaço livre nas laterais para a passagem dos túneis de Venturi. O motor plano de 12 cilindros da Ferrari era largo demais e bloqueava o fluxo de ar, mas o compacto V8 Ford-Cosworth DFV caía como uma luva.

O resultado foi um domínio absoluto. Com Mario Andretti ao volante, o Lotus 79 contornava as curvas em velocidades nunca antes vistas, conquistando os Mundiais de Pilotos e de Construtores em 1978. A Ford provou que, aliado à aerodinâmica correta, seu V8 continuava sendo o rei do grid.

Grande Prémio da Bélgica, 1978. Partida da corrida com Mario Andretti no seu Lotus Ford na primeira linha.
Grande Prémio de França, 1978. Mario Andretti (ao centro) após vencer a corrida.
Grande Prémio de Espanha, 1978. Mario Andretti a vencer a corrida no seu Lotus 79 Ford.

Benetton B194 (1994): O primeiro título do "Kaiser"

A temporada de 1994 é lembrada como uma das mais intensas, dramáticas e controversas da história da Fórmula 1. Em meio a uma reformulação radical do regulamento que baniu sistemas eletrônicos ativos (como a suspensão ativa e o controle de tração), surgiu um monoposto ágil, direto e extremamente veloz: o Benetton B194.

Projetado por Rory Byrne e Ross Brawn, o B194 era equipado exclusivamente com o motor Ford Zetec-R V8 de 3,5 litros. Embora os motores V10 da Renault (que equipavam a Williams) fossem, em teoria, mais potentes em velocidade final, o V8 da Ford se destacava pelo baixo peso, pela excelente entrega de torque em baixas rotações e pela grande eficiência no consumo de combustível.

No comando dessa máquina estava o jovem e ambicioso Michael Schumacher. O piloto alemão deu um verdadeiro show de pilotagem, vencendo seis das primeiras sete corridas da temporada e extraindo o máximo da agilidade do chassi da Benetton e da resposta imediata do motor Ford.

Após uma decisão dramática em Adelaide, na Austrália, Schumacher sagrou-se campeão mundial pela primeira vez na carreira. Aquele campeonato de 1994 representou o primeiro dos sete títulos de Schumacher e, ao mesmo tempo, a última conquista de pilotos de um motor Ford na Fórmula 1, fechando com chave de ouro uma das fases mais vitoriosas da montadora no automobilismo esportivo.

Grande Prémio do Japão, 1994. Michael Schumacher a liderar em pista.
Grande Prémio do Mónaco, 1994. Michael Schumacher no lugar mais alto do pódio.
Grande Prémio da Hungria, 1994. Michael Schumacher a toda a velocidade.

O futuro se escreve em 2026

O retorno da Ford à Fórmula 1 em 2026 marca a continuação de uma história rica em pioneirismo tecnológico. A montadora do “oval azul” agregará sua experiência em eletrificação, química celular de baterias e software de controle para o desenvolvimento da nova unidade de potência híbrida que impulsionará os monopostos de nova geração.

A história já nos ensinou: quando a Ford entra na Fórmula 1, as regras do jogo costumam mudar.

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