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Carlos José Negrão Avatar
Carlos José Negrão
19.10.26

De Salvador à Carretera Austral: 17 mil km a bordo da Ford Ranger

Quando saí de Salvador para esta viagem, eu sabia que seria uma grande aventura. O que eu não sabia era que ela acabaria se transformando em uma história muito maior do que aquela que eu tinha planejado.

Viajar de carro sempre foi uma paixão. Para mim, o destino é importante, mas a estrada também faz parte da viagem. Gosto de acompanhar a mudança da paisagem, atravessar cidades pequenas, cruzar fronteiras e chegar a lugares que, muitas vezes, eu só conhecia olhando o mapa. E há algum tempo tenho uma parceira nessas aventuras: minha Ford Ranger XLT.

Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT

O ponto de partida: de Ushuaia à decisão de encarar a Carretera Austral

Nossa história de estrada não começou nessa expedição. No ano anterior, já tínhamos ido juntos até Ushuaia, no extremo sul da Argentina. E foi justamente na Terra do Fogo que aconteceu algo que marcou bastante a minha experiência com a Ranger: fiz a primeira revisão dela em uma concessionária Ford argentina, seguindo normalmente o plano de manutenção e com todo o atendimento realizado dentro da garantia.

Para quem gosta de pegar o carro e atravessar fronteiras como eu, isso é um diferencial enorme. Estar a milhares de quilômetros de casa, praticamente no fim do continente, e saber que podia contar com a estrutura da Ford e manter a garantia da minha Ranger me deu uma tranquilidade que, em uma viagem desse tipo, faz toda a diferença.

Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT
Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT

Talvez ali tenha aumentado ainda mais a minha confiança para pensar na próxima aventura. E ela não demorou a aparecer. Quando voltei de Ushuaia, outro destino já estava na minha cabeça: a Carretera Austral.

O roteiro e a preparação da Ford Ranger: 5 países e 17 mil km percorridos

Dessa vez, o plano era ainda mais ambicioso. Sair novamente de Salvador, atravessar o Brasil, passar pelo Paraguai e pela Argentina, cruzar os Andes e percorrer a Patagônia chilena até Villa O’Higgins, no extremo sul da Carretera Austral. Depois, subir novamente o continente pela Argentina e pelo Uruguai até retornar ao Brasil.

No total, seriam cerca de 17 mil quilômetros e cinco países. Para uma viagem assim, preparei a Ranger para nos dar autonomia: barraca de teto, sistema de energia, internet via satélite e equipamentos para enfrentar muitos dias longe de casa. Mas nenhum equipamento consegue prever tudo o que a estrada vai entregar.

Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT
“Estar a milhares de quilômetros de casa, praticamente no fim do continente, e saber que podia contar com a estrutura da Ford e manter a garantia da minha Ranger me deu uma tranquilidade que, em uma viagem desse tipo, faz toda a diferença.”

Desafios na Patagônia chilena: rípio, neve e a travessia dos Andes

Vieram milhares de quilômetros de asfalto, mas também muito rípio, chuva, frio, gelo e neve. Cruzamos os Andes, enfrentamos longos trechos praticamente sem estrutura e fizemos travessias de balsa pelos lugares mais isolados do sul do Chile.

E foi justamente nesses momentos que a Ranger deixou de ser apenas o carro da viagem. Ela era parte da aventura.

Era nela que passávamos boa parte dos nossos dias, onde carregávamos tudo de que precisávamos e o que nos permitia continuar avançando quando o caminho ficava mais difícil. Eu já confiava nela depois de Ushuaia. Na Carretera Austral, essa confiança ganhou outra dimensão.

Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT
Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT

Uma viagem em dois ritmos: descobrindo a América do Sul ao volante e na corrida

Enquanto a Ranger acumulava quilômetros, uma segunda história começou a acontecer.

Nos últimos tempos, a corrida passou a ocupar uma parte importante da minha vida. Como ficaria quase um mês viajando e passaria muitas horas ao volante, coloquei o tênis na bagagem e fiz um combinado comigo mesmo: sempre que fosse possível, correria na cidade onde dormíssemos.

A ideia era apenas manter o condicionamento físico. Só que uma corrida puxou a outra. Eu dirigia durante o dia, chegava a uma cidade nova, estacionava a Ranger, colocava o tênis e saía para correr.

Foi quando percebi que estava conhecendo cada lugar de duas maneiras: primeiro pela janela da Ranger e depois com os meus próprios pés.

Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT

Corri no Brasil, no Paraguai, na Argentina, no Chile e no Uruguai. Passei correndo por cidades como Birigui, Cascavel, Ciudad del Este, Mendoza, Bariloche, Perito Moreno, Cochrane, Puerto Montt, Buenos Aires e tantas outras.

A meta inesperada: os 21 km da meia maratona em Punta del Este

Até que, em Mendoza, resolvi transformar aquela brincadeira em um desafio: terminaria a viagem correndo minha primeira meia maratona, em Punta del Este. A partir dali, a expedição passou a ter duas estradas. Uma eu percorria com a Ranger. A outra, correndo.

Seguimos para o sul até Villa O’Higgins. E chegar ali foi um daqueles momentos difíceis de explicar. Depois de sair de Salvador e atravessar boa parte da América do Sul, olhar para a Ranger coberta de poeira e barro no fim da Carretera Austral era quase como olhar para o próprio caminho que tínhamos percorrido.

Mas ainda faltava voltar. Subimos novamente pela Patagônia, enfrentamos mais rípio, balsas, chuva e frio até chegar a Puerto Montt. Depois vieram Neuquén, Mar del Plata, Buenos Aires e Montevidéu. E, finalmente, Punta del Este.

Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT
Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT

No dia 6 de setembro de 2026, depois de milhares de quilômetros ao volante e de todas aquelas corridas pelo caminho, larguei para os 21 quilômetros da minha primeira meia maratona. Cruzei a linha de chegada em 1 hora, 48 minutos e 37 segundos.

Quando saí de Salvador, aquela meia maratona sequer existia nos meus planos. Comecei a viagem correndo para não perder aquilo que havia conquistado. Terminei conquistando algo novo.

Mais que um carro: uma parceira de expedição

Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT
Carlos Negrão em sua viagem a bordo da Ford Ranger XLT

Hoje, quando olho para trás, vejo que os números ajudam a dar dimensão à aventura: aproximadamente 17 mil quilômetros, cinco países, dezenas de cidades e uma meia maratona.

Mas o que realmente fica são as histórias. As fronteiras, as paisagens, o rípio, a neve, as balsas, os imprevistos e aquela Ranger cinza aparecendo em praticamente todas as minhas lembranças.

Primeiro, Ushuaia. Depois, a Carretera Austral, Villa O’Higgins e Punta del Este. Já foram muitos quilômetros juntos.

E talvez seja por isso que hoje eu não veja a Ranger simplesmente como o carro que me leva para viajar. Ela é minha parceira de estrada. Eu escolho o próximo destino. E a gente vai.

Carlos José Negrão é empresário, proprietário de uma Ford Ranger, apaixonado por expedições e por corridas.