Tudo começou há mais de 100 anos, quando, em 1917, Henry Ford percebeu que a robustez do seu consagrado Modelo T poderia ser útil também no campo. A ideia era simples e revolucionária: criar uma versão voltada ao transporte de carga, e não apenas de passageiros. Mãos à obra: a marca transformou o carro de passeio em uma caminhonete resistente, capaz de transportar insumos pelas vias precárias dos Estados Unidos no início do século XX. A robustez, claro, tornou-se palavra de ordem.
A origem da picape: o nascimento da Ford TT
Estava criada a primeira picape do mundo: a Ford TT de 1917. A partir daquele momento, durabilidade, versatilidade e capacidade de trabalho tornaram-se pilares indispensáveis no desenvolvimento de veículos comerciais da marca do Oval Azul. Ao longo das décadas, a engenharia da Ford aperfeiçoou esses veículos para enfrentar condições extremas — de estradas não pavimentadas a regimes severos de uso com pouca manutenção.
O conceito Raça Forte no Brasil: de F-100 e F-1000 à Ranger
Com o passar dos anos, o slogan Raça Forte ganhou forma e autoridade técnica. No Brasil, essa trajetória teve início com a clássica Ford F-100, lançada no final da década de 1950 com um potente e moderno motor V8 de 169 cv.
Em 1979, foi a vez da icônica Ford F-1000, utilitário que rapidamente se tornou o sonho de consumo de quem precisava de força e confiabilidade no trabalho ou na estrada. Anos mais tarde, em 1994, outro divisor de águas desembarcou no mercado brasileiro: a Ford Ranger, que logo passou a ser produzida na fábrica de Pacheco, na Argentina, de onde é exportada até hoje.


Memórias ao volante: a evolução da Ranger V6
Tenho histórias marcantes com a Ranger, especialmente com as primeiras versões V6 importadas dos EUA em meados dos anos 1990. Lembro-me de que, no primeiro contato com o modelo, surpreendeu-me o excelente desempenho para uma caminhonete daquele porte — impulsionada pelo motor 4.0 V6 de 162 cv —, além de um comportamento dinâmico muito próximo ao de SUVs da época, seguro em curvas e frenagens e acompanhado de um ronco encorpado.

Em 2001, o modelo passou por uma grande reestilização: ganhou tração 4x4, cidadania argentina e motor 4.0 V6 atualizado para expressivos 210 cv. Justamente durante o período de avaliação dessa versão, recebi uma missão inesquecível: buscar meu terceiro filho, Lucca, recém-nascido na maternidade.
O primeiro trajeto de vida dele foi a bordo daquela Ranger V6 Cabine Dupla. Exigia-se condução suave, como se levasse taças de cristal na caçamba. Mesmo com suspensão traseira em feixe de molas dimensionada para carga pesada, a Ranger absorveu o piso com surpreendente conforto e equilíbrio, sem sacolejos indesejados.
Portfólio atual: Ranger, Maverick e F-150
Essa tradição de mais de três décadas explica por que a Ford Ranger segue como referência técnica e comercial, liderando as vendas em diversas configurações topo de linha e superando concorrentes diretas no segmento de picapes médias.
Hoje, a família Raça Forte cobre diferentes perfis de uso no mercado:
- Ford Maverick: picape monobloco com pegada urbana e jovem, que se destaca pela versão Maverick Hybrid (primeira picape híbrida do país, referência em economia de combustível) e pelas configurações de apelo aventureiro, como a Maverick Tremor e a Lariat Black.
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- Ford Ranger: referência em tecnologia de assistência à condução, conforto dinâmico e capacidade off-road no segmento médio.

- Ford F-150: topo de linha global, equipada com o consagrado motor V8 e líder entre as picapes grandes no Brasil.

Do pioneirismo da TT em 1917 à eletrificação da Maverick, a assinatura Ford Raça Forte preserva seu propósito original: engenharia pensada para superar desafios por muitas décadas pela frente.
Douglas Mendonça é jornalista automotivo com mais 50 anos de experiência. Como piloto, venceu a Mil Milhas Brasileiras em 1983 e a Mil Quilômetros de Brasília em 2004.


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