Skip to content
Ranger Raptor é usada como veículo de apoio para empresa de balonismo em Boituva
Marcus Vinicius Gasques Avatar
Marcus Vinicius Gasques
16.09.26

Ranger no trabalho bruto: picape apoia balonismo em Boituva

A luz do Sol tinge o horizonte quando o balão começa a ser inflado. O barulho do ventilador invade o amanhecer e, minutos depois, dá lugar ao maçarico para aquecer o ar. As cordas são conferidas e logo o envelope se agita. A Ranger, ali próxima, cumpre a primeira de suas tarefas. A aeronave decola com seu colorido em contraste com o céu azul. A picape a segue por terra.

"Hoje eu vivo de uma paixão. Para mim, o balonismo é algo lúdico, mágico. Entregar essa experiência às pessoas é fantástico, indescritível", afirma Maurício Ferreira da Silva, de 45 anos, proprietário da Sonho Livre Balonismo, empresa sediada em Boituva (SP).

Ford Ranger Raptor apoia empresa de balonismo em Boituva
Ford Ranger Raptor apoia empresa de balonismo em Boituva
Ford Ranger Raptor apoia empresa de balonismo em Boituva

Da infância em São Paulo ao empreendedorismo em Boituva

A paixão por balões, conta Maurício, vem da infância: "Começou com aqueles de papel. Antigamente era uma contravenção, depois se tornou crime. Por gostar muito do assunto, aproximei-me do balonismo. Fui fazer aulas, fiz a formação como piloto, juntei dinheiro e adquiri a empresa no decorrer dos anos".

O empresário, piloto e "faz-tudo" em seu negócio é natural da capital paulista, onde vivia. Trabalhou como impressor gráfico por 23 anos — "Gostava muito" — e viajava para Boituva nos fins de semana, onde atuava como piloto freelance para outras empresas. Foi assim durante cinco anos até que, em 2020, a pandemia de Covid-19 o motivou a mudar-se definitivamente para a cidade do interior paulista.

Ford Ranger Raptor apoia empresa de balonismo em Boituva

Mais de 300 mil km rodados e trabalho pesado no campo

A Ranger XL 2005, prata, a gasolina, já estava na garagem de Maurício naquela ocasião: "Nós precisamos de uma caminhonete para transportar os equipamentos. Comprei-a com 100 mil quilômetros, e ela já está com 300 mil quilômetros rodados. Quando fui montar a empresa, rodei 2.000 quilômetros para comprar um balão em Sorriso, em Mato Grosso. Fui e voltei com ela. Foram 2.000 quilômetros carregada com carreta e tudo: uma tonelada de equipamento, mais uns 500 quilos da carreta".

Ford Ranger XL usada por empresa de balonismo em Boituva
Ford Ranger XL usada por empresa de balonismo em Boituva
Ford Ranger XL usada por empresa de balonismo em Boituva

Portador de brevê de piloto de balão, Maurício calcula ter hoje cerca de 1.100 horas de voo. Mais do que pilotar, é sua responsabilidade monitorar as condições meteorológicas, levando em conta a avaliação de uma comissão de pilotos de Boituva. Ele vai dormir cedo na véspera do voo, acorda às 3h30 e, meia hora depois, já está recepcionando os passageiros. No campo de decolagem, o piloto ainda pode decidir não voar caso haja nevoeiro ou exista a possibilidade de chuva ou vento mais forte.

Ford Ranger XL usada por empresa de balonismo em Boituva

A logística dos voos de balão e o resgate por terra

Os balões decolam sempre bem cedo pela manhã, quando as condições meteorológicas são favoráveis, favorecidas pelo contraste entre o ar quente no interior do envelope e o ar mais frio da manhã. "O vento é mais tranquilo e a temperatura, amena. Evitamos pegar ventos rotores e térmicas", explica o balonista. Assim, por volta das 8h da manhã, os balões já retornaram ao solo.

Em competições, um voo pode durar de uma a duas horas. Já os passeios turísticos duram cerca de 40 minutos, permitindo desfrutar da paisagem entre 300 e 1.000 metros de altitude. A partir dos quatro principais pontos de decolagem e dos até 20 locais de pouso, a distância percorrida varia de 8 a 15 quilômetros.

Ford Ranger Raptor apoia empresa de balonismo em Boituva

"Depende muito dos ventos", afirma Maurício. "Mas, com a navegação que o piloto programa, dá para acertar 90% ou mais do trajeto. Hoje todo mundo trabalha com instrumentos: são obrigatórios GPS, altímetro e variômetro (instrumento que mede a velocidade vertical da aeronave)."

O pouso geralmente é feito nos carreadores dos canaviais, cultivo que cerca a cidade de Boituva, ou também em pastos e outras áreas de plantio. O piloto vai se comunicando via rádio com a equipe de apoio, que acompanha o balão por terra. A picape se dirige ao local do pouso a fim de resgatar os equipamentos, enquanto vans recolhem os passageiros. A equipe de terra desinfla e guarda o balão, e todos comemoram com um brinde.

Ford Ranger Raptor apoia empresa de balonismo em Boituva

Resistência fora de estrada e a experiência com a nova Ranger Raptor

Maurício avalia sua Ranger como "fantástica e sensacional" para o trabalho. "Como a gente voa em áreas rurais, são estradas de terra e terrenos com desníveis. Então, para entrar num pasto, às vezes é preciso descer alguns barrancos. E sempre há aqueles galhos de árvore e a palha da cana colhida raspando na lateral da caminhonete, fazendo aqueles risquinhos superficiais. Além de muita, muita poeira: você lava a picape e, no dia seguinte, ao voar novamente, ela já está toda suja de novo", conta.

Dono de uma Ranger com tração 4x2, o balonista teve a oportunidade de avaliar por alguns dias uma nova Ranger Raptor 4x4, com motor V6 a gasolina. Os 20 anos de evolução tecnológica que separam as duas picapes o impressionaram: "A minha me atende muito bem. Mas essa Raptor é show de bola: o conforto, a tecnologia, o motor — é tudo o que eu gosto. Não tenho nem palavras".

Ford Ranger Raptor apoia empresa de balonismo em Boituva
Ford Ranger Raptor apoia empresa de balonismo em Boituva

Histórias que marcam no céu e na terra

A Sonho Livre Balonismo conta com quatro balões, variando de um modelo exclusivo para casais a outro com capacidade para até 14 pessoas, além do piloto. Maurício relata já ter presenciado diversos momentos marcantes, como pedidos de casamento e passageiros que tatuaram balões. Mas uma história em especial o marcou profundamente.

"Uma mãe pediu para levar o filho, de uns 12 ou 14 anos, que tinha o sonho de voar de balão. O menino enfrentava uma doença muito grave. Nós fizemos o voo; ele chorava de emoção, enquanto a mãe o abraçava e o beijava chorando. Não teve preço. Cerca de duas semanas depois, ela me ligou para agradecer por termos realizado o sonho dele e contou que o seu 'anjo' tinha partido. Esse momento ficou marcado. A gente sente um aperto no coração, mas, ao mesmo tempo, fica feliz por ter conseguido realizar o sonho daquela criança".

 

Marcus Vinicius Gasques é escritor, jornalista e fã de literatura