A trajetória de Rafaela Ferreira, nova embaixadora da Ford Brasil, prova que a alta performance exige disciplina e coragem desde cedo. Aos 20 anos, o currículo já é histórico: Rafaela é a primeira mulher a vencer na F4 Brasil e a primeira a conquistar uma pole position no Brasileiro de Kart. Atualmente, ela representa o Brasil e a Ford na F1 Academy, correndo pela Visa Cash App Racing Bulls. Integrante do programa de talentos da Red Bull, atua na principal categoria de base para a Fórmula 1, unindo técnica e determinação rumo ao topo do automobilismo global.
Parceria com a Ford
Rafaela Ferreira chega ao time de embaixadores da Ford Brasil – se juntando a ícones como Italo Ferreira, Tati Weston-Webb e Yago Dora – num momento oportuno. Com o retorno global da Ford à Fórmula 1 em parceria com a Red Bull, ela agora atua como uma ponte dessa história no Brasil.
"É quase inacreditável carregar no peito esse elo entre uma das montadoras mais tradicionais e uma das equipes de maior sucesso. Tanto minha mãe quanto meu pai já tiveram modelos da Ford, então eu cresci vendo a marca fazer parte da minha rotina, mesmo sem saber que um dia isso também faria parte da minha carreira. Hoje, olhando para trás, isso deixa tudo ainda mais especial. É uma marca com a qual eu já tinha uma conexão desde pequena, e agora poder representar a Ford como embaixadora tem um significado muito grande para mim”, afirma.
A ciência da alta performance: Telemetria e simuladores na Red Bull
Natural de Criciúma, Rafaela herdou a paixão pelas pistas através do pai, competidor de kart com quem dava voltas no colo ainda na infância. Aos 8 anos, trocou a brincadeira pelas competições regionais até alçar pistas nacionais, consolidando ali sua vocação. Contudo, recentemente, a rotina da piloto mudou drasticamente. Ela trocou o apoio diário da família em Santa Catarina pela fábrica da Red Bull no Reino Unido.
Longe dos holofotes, ela passa horas imersa em análise de telemetria e sessões de simulador. “O trabalho na fábrica mudou a forma como vejo a corrida. Antes, eu dirigia muito pelo instinto. Hoje, com os dados, aprendi a entender o que realmente acontece em cada volta”, conta. Para Rafaela, pilotar se tornou um exercício cerebral: “se eu, como piloto, me surpreendi com o quanto existe por trás disso, imagine quem não é do meio. Hoje sou muito mais consciente”.
A piloto ainda explica que o esporte não é apenas acelerar, como pode parecer ao espectador. Existe uma técnica precisa por trás, onde entram análises de identificação de perda ou ganho de tempo, entendimento sobre como mudanças do carro afetam o desempenho e ajuda ao engenheiro e ao time responsáveis a melhorar o veículo. Com os ensinamentos, Rafaela diz que a pilotagem ficou mais completa.
“Antes, eu dirigia muito pelo instinto. Hoje, com os dados, aprendi a entender o que realmente acontece em cada volta.”
Estilo de vida e a potência da Ranger Raptor
Fora do cockpit de fibra de carbono, Rafaela busca desconectar-se da pressão na praia, ou até cozinhando e fazendo outros esportes radicais. Agora, sua companheira de jornada no Brasil é a Ranger Raptor.
A transição dos carros de fórmula, baixos e leves, para a picape de performance da Ford trouxe uma nova perspectiva de diversão: “Eu não estou muito acostumada com carros altos, porque venho de uma realidade de carros de fórmula. Então, só isso já fez a experiência ser bem diferente e muito divertida para mim. Assumir o volante da Raptor foi muito legal e surpreendente. É um carro muito rápido, muito forte e que passa uma sensação de segurança ao guiar. E ela realmente faz qualquer coisa; não tem um obstáculo, um morro, um buraco ou até lama que impeça o carro de continuar”, relata.
“Ela realmente faz qualquer coisa; não tem um obstáculo, um morro, um buraco ou até lama que impeça o carro de continuar.”
O pioneirismo feminino e o futuro das mulheres no esporte a motor
Ao olhar para trás, a menina que cresceu vendo os pais dirigirem modelos Ford agora entende seu papel como pioneira. Se pudesse dar um conselho à Rafaela que começou no kart em Santa Catarina, ela seria enfática: “Eu diria para continuar acreditando no caminho dela. Os desafios existem e vão acontecer, mas não definem até onde você pode chegar. Também diria para ela se aproximar das outras meninas que estão competindo, porque, no fim, estamos na mesma luta. Não é sobre uma contra a outra, e sim sobre crescer juntas e abrir mais espaço para quem está vindo. O automobilismo está mudando, cada vez mais mulheres estão entrando e conquistando seu espaço. Daqui a pouco, não seremos mais exceção”.
Manuela Dacca Gorham contribui como redatora do From the Road.