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In 1966, Ford didn’t just win the 24 Hours of Le Mans; we swept the podium, finishing first, second, and third.
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Ted Ryan
10.06.26

Ford em Le Mans, 60 anos depois: as relíquias que contam a verdadeira história da vitória de 1966

Há sessenta anos, a Ford foi a Le Mans e mudou os rumos da empresa para sempre, mas o fracasso faz parte dessa história.

Em 1964 e 1965, nenhum carro da Ford conseguiu terminar a corrida em Le Mans. Nenhum sequer. A empresa era motivo de piada nos círculos do automobilismo.

Tudo mudou em 1966. A Ford não apenas venceu as 24 Horas de Le Mans, mas dominou o pódio, terminando em primeiro, segundo e terceiro lugares. Esse momento já foi contado e recontado, mas o que raramente se vê são as provas físicas. O rastro de documentos reais. As relíquias que mostram como tudo aconteceu.

Enquanto nos preparávamos para celebrar o 60º aniversário da vitória da Ford em Le Mans, voltei aos arquivos para ver o que havia sobrevivido. E nós encontramos as provas — inclusive os recibos.

In 1966, Ford didn’t just win the 24 Hours of Le Mans; we swept the podium, finishing first, second, and third.
In 1966, Ford didn’t just win the 24 Hours of Le Mans; we swept the podium, finishing first, second, and third.
In 1966, Ford didn’t just win the 24 Hours of Le Mans; we swept the podium, finishing first, second, and third.

A primeira coisa que impressiona as pessoas é o orçamento. O orçamento original da Ford para Le Mans em 1966 — que nunca havia sido divulgado publicamente — era de US$ 1,8 milhão. Esse documento detalha claramente o risco para a reputação corporativa da Ford caso o programa fracassasse. Esse montante cobria tudo: carros, equipes, logística e operações de corrida. Corrigido pela inflação, isso equivale a cerca de US$ 18 milhões hoje.

Mesmo para os padrões do automobilismo moderno, era um valor enxuto. Ver esse número no papel original dá uma dimensão real a toda essa história. Como em qualquer projeto audacioso, nós estouramos o orçamento, e há um memorando implorando por verbas adicionais para contratar mais pilotos, construir mais carros e revisar motores e chassis. O valor total final? US$ 3,5 milhões. Graças a Deus foi aprovado.

Como eram feitas as entrevistas na era anterior às videochamadas? Por telex! Também encontramos um documento de perguntas e respostas de várias páginas, datado de 1966. As perguntas foram enviadas a Henry Ford II, e suas respostas retornaram por telex.

Henry Ford II at the 24 Hours of Le Mans in 1966.
In 1966, Ford didn’t just win the 24 Hours of Le Mans; we swept the podium, finishing first, second, and third.

Temos o telex original. É possível notar o ritmo de seu pensamento — direto, sem filtros, imediato. Essas respostas foram publicadas na revista Sports Illustrated na mesma semana em que as 24 Horas de Le Mans estavam acontecendo. A história acontecendo em tempo real.

Depois, há a comemoração.

Guardamos o convite original para a festa de vitória da Ford em Le Mans no La Chanticleer, em Nova York, um restaurante lendário frequentado por pilotos na época. Mas, mais revelador do que o convite, é o que veio depois dele: a conta do bar. O vinho. O champanhe. Os coquetéis. E um bolo. Apenas um. Esse detalhe importa. Ele pinta um quadro que nenhum comunicado à imprensa jamais conseguiria: pessoas cansadas, aliviadas, finalmente se permitindo aproveitar o momento. Temos até a nota dos charutos. Quantidades exatas. Custo exato. É engraçado hoje, mas também muito revelador. Em 1966, aquilo ainda não era uma lenda. Era apenas um grupo de pessoas que tinha acabado de realizar algo extraordinário.

Um dos documentos mais significativos é uma lista completa de todos os envolvidos no programa de Le Mans da Ford. Engenheiros. Designers. Construtores. Mecânicos. Cada um deles recebeu um par de abotoaduras especiais feitas para a corrida. Nós temos a lista dos agraciados. É um lembrete de que, embora nomes como Carroll Shelby sejam amplamente conhecidos, a vitória pertenceu a uma equipe muito maior, que incluía a Holman/Moody, a Alan Mann Racing e uma ampla gama de engenheiros da Ford.

Também temos o comunicado de imprensa original divulgado após a vitória da Ford. Ele é breve. Direto ao ponto. Sem voltas de comemoração no texto. Apenas o resultado.

In 1966, Ford didn’t just win the 24 Hours of Le Mans; we swept the podium, finishing first, second, and third.
In 1966, Ford didn’t just win the 24 Hours of Le Mans; we swept the podium, finishing first, second, and third.

Uma relíquia em especial captura o espírito daquela época melhor do que qualquer outra coisa.

Um isqueiro de ouro maciço dado a Henry Ford II por Lee Iacocca. Com o logotipo do Mustang em ouro maciço na frente. E gravado logo abaixo: “À saúde, à felicidade e a 30% de retorno”. Essa única frase diz mais sobre a Ford na década de 1960 do que qualquer apresentação de estratégia corporativa jamais conseguiria.

As pessoas costumam perguntar por que esses documentos não foram compartilhados antes. A resposta é simples: a Ford não costumava abrir seus bastidores. Rascunhos internos permaneciam internos. Orçamentos continuavam trancados a sete chaves. Essa cultura só mudou nos últimos anos.

E é por isso que essas relíquias são tão importantes hoje.

Não dá para recriar esse tipo de história mais tarde. Daqui a 20 ou 30 anos, não haverá contas de bar ou telexes para contar a história — apenas e-mails excluídos e links expirados. Esses documentos físicos mostram exatamente como a Ford passou do fracasso absoluto ao domínio total.

A vitória costuma abrir os cofres. O orçamento de Le Mans para 1967 saltou para US$ 3 milhões.

Mas 1966 foi o ponto de virada.

In 1966, Ford didn’t just win the 24 Hours of Le Mans; we swept the podium, finishing first, second, and third.

A Ford dominou Le Mans com um pódio triplo histórico. A Ferrari não conseguiu terminar a corrida. E é possível sentir essa mudança de patamar ao olhar para os próprios documentos.

Muitas dessas relíquias estarão em exibição em Le Mans este ano como parte da exposição de 60 anos, organizada em torno das equipes, dos pilotos e da própria Ford, incluindo o troféu de distância original de 1966.

Este aniversário não é sobre nostalgia. É sobre provas. Essas relíquias não contam a lenda da Ford em Le Mans. Elas mostram como tudo aconteceu.

 

Ted Ryan é gerente de patrimônio histórico e arquivista da Ford.